terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sobre o crime e a compreensão

Da profundidade do seu conjunto ósseo
Advinha a mais abissal compreensão.
Compreendia: coisa que no homem é fóssil,
A conjectura carecente da traição.

Quando numa noite quente ao chegar em casa,
mal saberia, a cólera que seu coração talha,
ao presenciar o desafio, que o levará a desgraça.
A mulher, leviana, a trocar caricias: - canalha!

E ao agarrar a mais próxima arma: um pau.
Desferiu-lhe, no crânio, um golpe mortal.
E como quem desperta de uma quimera absurda.

Viu na Amada, Epiléptica, a demasia do mal.
Foi a morte, que numa noite clara, empalideceu?
Foi deplorável, o que o homem, tarde, compreendeu.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sobre a poesia

Em um poema sempre ira existir algo que se encaixe, pois, como é de sua natureza é parte retirada de algo/alguém, é como um membro, um órgão: parte indispensável, e que sempre vai ter a quem ou a que servir, portanto vital. Em mim ele seria, a ânsia, o corpo estranho expulso do meu estômago (vómito) ou do meu cérebro (o Éter).

domingo, 5 de julho de 2009

Do Subsolo

Todo Ser vem do Subsolo?!
Eu que te respondo em mentira,
então, me repudio e me consolo,
Ele! Ilumina-me, e por fim se retira.

Projetado como estrume no solo,
delicado ao nutrir a planta,
deixa escorrer seiva de suas entranhas,
ejaculando no útero da terra, um óvulo.

Como broto no chão surgi, um ser estéreo:
é o mundo que o nutri: é Ele o paridor!
é quem goza em nós todo o liquido etéreo.

Ergue gritando, como quem sente dor,
sagaz como a nobreza de quem mente,
No Subsolo, ah! Nem sempre brota essa Semente.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A um amigo

Caiu. Acordou como um novo ser em parte,
Tornou-se parte da imprudência incontestável do chão
atraído por gravidade: newtoniano desastre.
D'Um mártir! Eu, amigo, desconheci tal coração.

Levantou. Superando o assoalho de pedra erguendo-se então
Com a força sobre natural do organismo,
sobre sepulcros aéreos, de duvida enchendo as mãos.
Alheio, movo as lágrimas num Triste mecanicismo.

Argonauta. Assentado ao som do Silêncio ao pé do viaduto,
vislumbrou o voo, num delírio de Defunto,
abraçou a Esperança, - coisa que não sustento em Luto.-
desejou virar memória, assim, como moribundo.
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*Assentado ao pé do silencio ao som de "Come together"
Vislumbrando o voo, num delírio: coisa secreta
abraçou a esperança, como a criança a um adulto
desejou virar memória, em vez de só mais um no mundo.

E voou para o infinito como Morrison, ou Ian Curt,
Permaneceu como infindável Defaut.
É isso, meu velho, como no amanhecer á bela tarde vazia.
final, foi como essa luz que tu metafisicamente tornar-se poesia.

*parte acrescentada e alterada do poema para um sarau

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Vitória de Santo Antão

Da Geografia



Ondulada, um Caos de formas, deformada...

Grama de esverdeada secura, porem bela

Terra potente de belas gramineas aereas.

Fertilisada por passagens de águas juninas.



Nessa terra onde o massapê é mais extenço,

Nasceu d'um parto generico outras especies

que hoje disperça-se de sua mãe, desapropriadas

aqui, a terra é farta, em vegetações bem aproveitada.

(inacabado)

III (ou Dos Tempos que virão)

Estava escrito e mal percebemos:
Entre passagens de pessoas e tempos,
estava na radiação térmica desse invento,
entre espaços de dimensões, complexas.

Bom saber que nada é sempre:
Nem o tempo é sempre, ele acaba.
Acaba para recomeçar novamente,
e novamente terminar a hora recomeçada.

Feliz por ser eterno, somos sempre recomeço,
um sim de sobrevivência, singelo.
Na ausência de saudade, fico triste, confesso.
É sentindo este alarde que te vendo recomeço.

E sabendo que nunca mais ficarei triste:
Seremos infindáveis perspectivas, seremos três:
E não terá espaço vago, só a saudade, a vontade...
No inicio, no meio, no fim e na Finalidade.

sábado, 1 de dezembro de 2007

II (Antes de estar longe)

É como velhice estancada, no compasso
Traços demarcados num conjunto simbiótico
é parte de mim como antibiótico
é o que permanece vivaz e sádico

Mas o desleixo, compassivo...
Transforma, nos deixando corrosivos.
Quem dera desatar todo o tempo
e sermos novamente singelo invento.

Tratar da memória, coisa que estertora...
Vingar-se do destino, coisa que é errada
Foi pela simbiose de nossos tempos
que este ser intocável trabalhava.

E é assim, como quem respira...
A facilidade de manter-se em equilíbrio
a busca de manter empregado esse destino.
somos inventados, entrelaçados, e algo mais.

Antes de estar longe, morrerei duas vezes:
por depois de enterrado, decomposto e fecundo.
ficando distante de qualquer coisa que seja tua,
e próximo da eterna saudade... Em Altivez.