Minha fantasia é absurda...
Esse inseto que consome e regurgita
as mais insanas possibilidades de vida
e as putrefações em dia umido visita.
Visita a umidade abaulada do meu quarto
e põe-me a perceber a figura desse rastro.
Castigando as eras fantasmagoricas dessa visagem
a sentir ânsias, absurdamente, vi uma miragem
catequizando meu intestino, convertendo-o.
Inseto imundo que transcende as eras ao relento
vinha me despertar d'um fantastico intelecto.
Este que fermenta e alcoolisa, vibrações inatas
brota de semente em semente de radiotivas fontes
atravessando pontes imensas com forças incógnitas.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Augusta Ladainha
A Augusto dos Anjos
Cantou ao tamarindo de sua vida,
sonetos da putrefação do homem
no âmago intestinal que o consolida
dizia coisas que por dentro consomem.
Me vi junto a vermes, corvos, carneiros...
seguindo um fantástico caixão,
Celebrando a chegada do poeta coveiro
que cavava dos sepulcros a bela Canção:
"Foi assim como na sua profecia:
morreu aos trinta de pneumonia.
Enfermo, então veio a perecer.
morreu aos trinta de pneumonia.
Enfermo, então veio a perecer.
Mas o contrario de teu corpo, poeta,
aquém dedico minha Litania,
os teus versos hão de nunca apodrecer."domingo, 20 de dezembro de 2009
Pobre vaidade
I
Ela tinha o caminhar leve dos alcoólatras.
Uma estreita faixa rubra de batom seguia
se alastrando na boca sem dentes: vazia.
mas sorria ainda, com o sorriso dos hipócritas.
Na alma, moribunda e maltrapilha, a desgracença
nos poros, absorvia a ciência trágica do dia
e no peito, dessa louca, que outrora vadia
fazia assim: um olho na vida, e outro na descrença.
Essa amante dos sibaritas, levou nas costas um peso -
Uma corcunda horrenda e a falta de alguns inúteis dedos.
E na boca uma estreita faixa de batom avermelhado,
com o rosto deformado e as vestes em retalho
engolindo a ânsia d'um coração cuspindo escárnio,
via-se ainda um orgulho de quem já tinha amado.
II
Correspondia a todos os olhares das ruas...
Olhava, sorria, e o peito inchava de orgulho.
Com o sorriso murcho de novo, voltava ao entulho.
E no monturo, que se encontrava, estava ela, nua.
Sobre o reflexo solar: que é a lua, lavava-se.
retirava as lepras e escárnios do dia imundo.
Mas na boca permanecia ainda o batom rubro
e no olhar o sorriso de posse da vaidade.
Encerrava-se em si mesma, como inseto morto.
vivendo, assim: a noite gente e de dia estorvo.
e ainda ouvindo gracejos, tais, -"Puta!", "puta"...
Oh! Senhora, ser dos sonhos monstruosos,
ainda assim infla o peito de amores incestuosos...
e sorri ainda para os pobres que te insultas.
Ela tinha o caminhar leve dos alcoólatras.
Uma estreita faixa rubra de batom seguia
se alastrando na boca sem dentes: vazia.
mas sorria ainda, com o sorriso dos hipócritas.
Na alma, moribunda e maltrapilha, a desgracença
nos poros, absorvia a ciência trágica do dia
e no peito, dessa louca, que outrora vadia
fazia assim: um olho na vida, e outro na descrença.
Essa amante dos sibaritas, levou nas costas um peso -
Uma corcunda horrenda e a falta de alguns inúteis dedos.
E na boca uma estreita faixa de batom avermelhado,
com o rosto deformado e as vestes em retalho
engolindo a ânsia d'um coração cuspindo escárnio,
via-se ainda um orgulho de quem já tinha amado.
II
Correspondia a todos os olhares das ruas...
Olhava, sorria, e o peito inchava de orgulho.
Com o sorriso murcho de novo, voltava ao entulho.
E no monturo, que se encontrava, estava ela, nua.
Sobre o reflexo solar: que é a lua, lavava-se.
retirava as lepras e escárnios do dia imundo.
Mas na boca permanecia ainda o batom rubro
e no olhar o sorriso de posse da vaidade.
Encerrava-se em si mesma, como inseto morto.
vivendo, assim: a noite gente e de dia estorvo.
e ainda ouvindo gracejos, tais, -"Puta!", "puta"...
Oh! Senhora, ser dos sonhos monstruosos,
ainda assim infla o peito de amores incestuosos...
e sorri ainda para os pobres que te insultas.
domingo, 22 de novembro de 2009
A mosca
Estava acima, no teto, a espreitar-me.
Monstro azul, enorme: - confesso, tinha medo.
E Isso ai, que engolira meu sono e sossego
Zumbia com desdém e vingança, a circular-me.
E circularmente, subia e descia, e pousava
sobre o teto em que ela dominava e,
a cada elipse, sinuava-se em um pouso provocante
e provocava meus nervos: parte dissecante.
E num pouso extraordinário, depositou
em meu corpo áspero, uns ovos ao acaso
e como quem confia, voou e esqueceu do fato.
Mal saberia ela, que em mim depositava as
esperanças futuras, de um dia, eu morto,
renascer nos ossos e vísceras, um bicho desse novo.
Monstro azul, enorme: - confesso, tinha medo.
E Isso ai, que engolira meu sono e sossego
Zumbia com desdém e vingança, a circular-me.
E circularmente, subia e descia, e pousava
sobre o teto em que ela dominava e,
a cada elipse, sinuava-se em um pouso provocante
e provocava meus nervos: parte dissecante.
E num pouso extraordinário, depositou
em meu corpo áspero, uns ovos ao acaso
e como quem confia, voou e esqueceu do fato.
Mal saberia ela, que em mim depositava as
esperanças futuras, de um dia, eu morto,
renascer nos ossos e vísceras, um bicho desse novo.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Uma prostituta
Doa a todos a sua virilidade e só pede em troca,
alguns trocos. O que pode siguinificar pouco...
Passa a ser muito para uma massa, para um todo.
Para ela, ser o que É, é só para alguns seletos.
Seu corpo causa tanta ostenta, que alcooliza,
causa fome, fadiga e no fundo conformiza...
É perversa para os que não a consomem.
Ah! Senhores, oportunidade tem poucos homens.
Busca-se então outra possibilidade...
Um vigor tal, não pode ser assim, tão selvagem.
Domar e sugar seu seio murcho e farto.
É para ser prazer de todos, isso, amigos, é fato.
Explora-la, consumi-la, aproveita-la, não basta.
A ela paga-se uma chance e a espera numa fila.
alguns trocos. O que pode siguinificar pouco...
Passa a ser muito para uma massa, para um todo.
Para ela, ser o que É, é só para alguns seletos.
Seu corpo causa tanta ostenta, que alcooliza,
causa fome, fadiga e no fundo conformiza...
É perversa para os que não a consomem.
Ah! Senhores, oportunidade tem poucos homens.
Busca-se então outra possibilidade...
Um vigor tal, não pode ser assim, tão selvagem.
Domar e sugar seu seio murcho e farto.
É para ser prazer de todos, isso, amigos, é fato.
Explora-la, consumi-la, aproveita-la, não basta.
A ela paga-se uma chance e a espera numa fila.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Ao suicida

Forca, balas, afogamento, precipícios... martelo.
Inúmeras ferramentas para concretizar teu gesto.
Para esse feito é necessário dois pontos virtuais
e metafisicos motivos, diversos fatores causais.
Há quem diga que teu desejo nada justifica.
Justifica a fadiga e o mal que carregaste em vida:
esse peso que em vão arrastou-se moribundo
em sequelas triste se depreciou... ficou nulo.
Será claro, na tangencia de sua virtuosidade,
o objeto concretizador desse latente ensejo
Um revolver, uma faca, uma corda... crueldade.
Impulsionado por um ato encorajadissimo...
E no inconciente de quem fica: uma gota trágica...
Na carta deixada, o sangue coalho e um profundo egoísmo.
Há quem diga que teu desejo nada justifica.
Justifica a fadiga e o mal que carregaste em vida:
esse peso que em vão arrastou-se moribundo
em sequelas triste se depreciou... ficou nulo.
Será claro, na tangencia de sua virtuosidade,
o objeto concretizador desse latente ensejo
Um revolver, uma faca, uma corda... crueldade.
Impulsionado por um ato encorajadissimo...
E no inconciente de quem fica: uma gota trágica...
Na carta deixada, o sangue coalho e um profundo egoísmo.
Assinar:
Postagens (Atom)
